EHS
Equipe Hospital Samaritano - Equipe Hospital Samaritano Atualizado em 04/09/2026

Oncologia

6 minutos de leitura

Transplante de medula óssea em criança: como funciona e indicações

Entenda como funciona o transplante de medula óssea infantil, as indicações para doenças hematológicas e o papel vital do acompanhante durante a internação.
Resumo
  • O procedimento substitui células doentes por células-tronco saudáveis, de forma semelhante a uma transfusão de sangue.
  • As indicações incluem leucemias, linfomas, tumores sólidos e imunodeficiências graves.
  • Existem dois tipos principais de transplante: o autólogo (células do próprio paciente) e o alogênico (células de um doador).
  • O acompanhante familiar tem participação ativa na rotina de higiene, apoio emocional e monitoramento da criança internada.
  • A infraestrutura hospitalar e o isolamento rigoroso são essenciais para proteger o paciente contra infecções durante a queda da imunidade.

Resuma este artigo com IA:

Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

GoogleFavoritar no Google
transplante de medula óssea em criança​

Entenda as etapas do procedimento pediátrico, os tipos de doação e a importância do acolhimento familiar na recuperação.

Receber a notícia de que um filho precisará de um transplante de medula óssea paralisa qualquer responsável. O vocabulário médico invade a rotina da família, e o ambiente hospitalar passa a ser o novo lar temporário. Compreender cada etapa do tratamento ajuda a reduzir a ansiedade e permite que a família foque no apoio emocional à criança.

Hospital Samaritano conta com oncologistas renomados que podem atuar em transplantes de medula óssea e, inclusive, atender imediatamente em casos emergenciais.

Ele possui cinco unidades: em São Paulo, Unidade Higienópolis e Paulista. No Rio de Janeiro, Unidade Botafogo, Barra e Ipanema.

Para agendar sua consulta, ligue:

O que é o transplante de medula óssea infantil?

O transplante de medula óssea (TMO) é um tratamento que visa substituir uma medula óssea doente ou deficitária por células-tronco saudáveis. A medula óssea é o tecido líquido no interior dos ossos, responsável por produzir os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas.

Na prática, o procedimento não envolve cortes ou cirurgias complexas na criança receptora. A infusão das células saudáveis ocorre por meio de um cateter venoso central, de maneira muito semelhante a uma transfusão de sangue convencional. As novas células viajam pela circulação até se alojarem nos ossos, onde iniciam a multiplicação.

Nesse processo, mecanismos genéticos específicos controlam a capacidade de autorrenovação das células formadoras do sangue. Essa renovação contínua é o ponto de partida fundamental para reconstruir todo o sistema de defesa do organismo após o tratamento de doenças como as leucemias.

Leia também: Veja os sintomas característicos de leucemia infantil

Quais são os tipos de transplante de medula para crianças?

A escolha do tipo de transplante depende diretamente do diagnóstico da criança e da disponibilidade de doadores. A equipe médica de onco-hematologia avalia o quadro clínico para definir a melhor estratégia.

Tipo de transplanteComo funcionaIndicações comuns
Autólogoutiliza as células-tronco da própria criança, coletadas e congeladas antes de altas doses de quimioterapia.tumores sólidos infantis, como neuroblastoma e linfomas.
Alogênico aparentadousa células de um doador da família totalmente compatível (geralmente irmãos).leucemias graves, falências medulares e doenças genéticas.
Alogênico haploidênticoutiliza células de um familiar parcialmente compatível, frequentemente o pai ou a mãe.casos urgentes em que não há irmão 100% compatível.
Alogênico não aparentadodepende de um doador voluntário encontrado em bancos de medula, como o REDOME.leucemias e imunodeficiências quando não há doador na família.

Agendar Consulta

Quando o procedimento é indicado na pediatria?

O transplante é recomendado quando tratamentos convencionais, como a quimioterapia padrão ou a radioterapia, não são suficientes para controlar a doença. Ele também é utilizado quando a própria medula óssea da criança falha em produzir células sanguíneas saudáveis.

Algumas condições clínicas pediátricas que frequentemente requerem o TMO incluem:

  • leucemias agudas (leucemia linfoide aguda e leucemia mieloide aguda) com alto risco de retorno ou recidivadas;
  • tumores sólidos graves, como retinoblastoma, tumores cerebrais e neuroblastoma de alto risco;
  • anemias graves, a exemplo da anemia aplástica severa e da anemia falciforme;
  • imunodeficiências congênitas, em que o paciente nasce sem defesas biológicas adequadas para combater infecções.

Leia também: Quem pode doar medula óssea? Veja os requisitos

Como funciona o preparo e a internação da criança?

O processo de transplante exige um período de internação prolongado, geralmente entre 30 e 40 dias. Antes de receber as novas células, a criança passa pela fase de condicionamento. Essa etapa envolve a aplicação de quimioterapia para eliminar as células doentes e preparar o organismo para receber a nova medula.

A escolha de esquemas de preparo personalizados, associada a um suporte hospitalar contínuo, tornou o procedimento pediátrico mais seguro contra rejeições e complicações infecciosas. O cálculo milimétrico das doses dos medicamentos imunossupressores, ajustado conforme o peso corporal e exames laboratoriais diários do paciente, também reduz falhas no enxerto.

Após o condicionamento, ocorre a infusão das células-tronco, momento chamado de "Dia Zero". A partir dessa etapa, os profissionais monitoram o paciente à espera da "pega da medula", quando as células doadas passam a gerar sangue de forma autônoma, o que costuma levar de duas a quatro semanas.

Qual é o papel do acompanhante durante o transplante?

O cuidado pediátrico em um centro de transplante envolve diretamente a presença da família. A permanência do responsável legal durante todo o período de internação oferece estabilidade emocional para o paciente. O acompanhante funciona como o elo de comunicação contínua entre a criança e a equipe multiprofissional.

O familiar recebe orientações da enfermagem para auxiliar nas rotinas do quarto. Entre as tarefas estão o auxílio na higiene diária, o estímulo à aceitação da alimentação e a observação de sintomas iniciais como febre ou desconfortos. O suporte afetivo diário auxilia no enfrentamento dos efeitos colaterais temporários da medicação.

Quais são os principais cuidados contra infecções?

Após a etapa de preparo, as defesas imunológicas da criança caem expressivamente. O período exige protocolos rigorosos de biossegurança contra bactérias, vírus e fungos ambientais. Quartos de isolamento protetor com pressão positiva e filtros de ar de alta eficiência (HEPA) reduzem a circulação de partículas infecciosas.

A atualização da carteira de vacinação de todos os familiares e profissionais que têm contato com a criança é uma medida protetiva essencial antes e durante a internação. O acesso ao quarto requer higienização das mãos, uso de máscaras e aventais limpos. A alimentação também passa por triagem restritiva, excluindo itens crus para prevenir contaminações gastrointestinais.

Como é a recuperação e a expectativa após a alta?

A alta hospitalar ocorre quando a nova medula atinge níveis estáveis de produção celular e o paciente consegue ingerir água e alimentos com segurança. Os primeiros 100 dias exigem consultas frequentes de retorno no ambulatório para monitorar a resposta imunológica e o funcionamento dos órgãos.

O acompanhamento da função pulmonar no período pós-transplante é outro cuidado determinante na rotina pediátrica. Avaliações respiratórias detalhadas ajudam a identificar alterações precoces na ventilação dos pulmões, permitindo intervenções terapêuticas rápidas antes que ocorram agravamentos clínicos.

Com o acompanhamento multidisciplinar de longo prazo, a criança passa pela atualização gradual de todo o calendário de vacinas. O acompanhamento contínuo assegura o monitoramento do crescimento físico e o pleno desenvolvimento infantil após a recuperação completa da medula.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • CONSIDERATIONS in preparative regimen selection to minimize rejection in pediatric hematopoietic transplantation in non-malignant diseases. Frontiers in Immunology, out. 2020. DOI: https://www.frontiersin.org/journals/immunology/articles/10.3389/fimmu.2020.567423/full.
  • FENG, H. et al. Initial dosage optimisation of cyclosporine in Chinese paediatric patients undergoing allogeneic haematopoietic stem cell transplantation based on population pharmacokinetics: a retrospective study. BMJ Paediatrics Open, 2023. DOI: https://bmjpaedsopen.bmj.com/content/7/1/e002003.
  • IFVERSEN, M. et al. Supportive care during pediatric hematopoietic stem cell transplantation: prevention of infections. Frontiers in Pediatrics, 29 jul. 2021. DOI: https://www.frontiersin.org/journals/pediatrics/articles/10.3389/fped.2021.705179/full.
  • JACKSON, J. T.; NUTT, S. L.; MCCORMACK, M. P. The haematopoietically-expressed homeobox transcription factor: roles in development, physiology and disease. Frontiers in Immunology, 16 jun. 2023. DOI: https://doi.org/10.3389/fimmu.2023.1197490.
  • WALKUP, L. L. et al. Xenon-129 MRI detects ventilation deficits in paediatric stem cell transplant patients unable to perform spirometry. The European Respiratory Journal, [s. l.], 2019. DOI: https://publications.ersnet.org/content/erj/53/5/1801779.
Escrito por
EHS
Equipe Hospital SamaritanoEquipe Hospital Samaritano
Escrito por
EHS
Equipe Hospital SamaritanoEquipe Hospital Samaritano