Urologia

5 minutos de leitura

Transplante de rins: como funciona o procedimento que renova a vida

Entenda como funciona o transplante de rins, desde a compatibilidade e a fila de espera até a cirurgia e a vida com o novo órgão.
EHS
Equipe Hospital Samaritano - Geral Atualizado em 19/02/2026
Transplante de rins como funciona

Saiba quais são as etapas, desde a avaliação inicial e os tipos de doadores até a cirurgia e os cuidados para uma vida nova.

A rotina de quem convive com a insuficiência renal crônica é marcada por horários rígidos, restrições e a dependência de uma máquina de diálise. Essa realidade, embora essencial para a sobrevivência, pode ser exaustiva. Para muitos, o transplante renal representa mais do que um tratamento: é a chance de retomar a liberdade e a qualidade de vida.

O que é o transplante renal e quando ele é indicado?

O transplante renal é um procedimento cirúrgico que consiste em implantar um rim saudável de uma pessoa (doador) em outra (receptor) cujos rins perderam a capacidade de funcionar adequadamente. Essa condição é conhecida como doença renal crônica em estágio terminal.

A principal indicação ocorre quando a função renal do paciente está tão comprometida que tratamentos como a hemodiálise ou a diálise peritoneal se tornam necessários para filtrar as toxinas do sangue. O transplante é considerado a opção de tratamento mais completa, pois o novo rim assume todas as funções que os órgãos doentes não conseguiam mais realizar.

Como funciona o processo para entrar na fila de transplante?

O caminho até o transplante começa muito antes da cirurgia. O paciente precisa passar por uma série de avaliações médicas e exames para confirmar que tem condições de saúde para receber um novo órgão. Essa avaliação médica rigorosa é crucial para garantir que o paciente possui condições de saúde adequadas para receber o novo órgão com segurança.

Esse processo é conduzido por uma equipe multidisciplinar, incluindo nefrologistas, cirurgiões, enfermeiros e psicólogos.

Critérios de compatibilidade: o que é testado?

Para aumentar as chances de sucesso e diminuir o risco de rejeição, é fundamental que haja a maior compatibilidade possível entre doador e receptor. Os principais testes avaliam:

  • Tipagem sanguínea (ABO): o tipo de sangue do doador e do receptor devem ser compatíveis, assim como em uma transfusão de sangue.
  • Antígenos Leucocitários Humanos (HLA): trata-se de um marcador genético presente nas células. Quanto maior a semelhança do HLA entre doador e receptor, menor a chance de o corpo do receptor rejeitar o novo rim.

Outros exames também são realizados para investigar a presença de infecções ou outras condições que possam comprometer o procedimento.

A lista única do Sistema Nacional de Transplantes

Após a conclusão dos exames, se o paciente for considerado apto, seu nome é inserido na lista única de receptores, gerenciada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A alocação de órgãos de doadores falecidos segue critérios técnicos rigorosos, principalmente a compatibilidade, e não a ordem de chegada na fila.

Quais são os tipos de doadores de rim?

O rim a ser transplantado pode vir de duas fontes diferentes: um doador falecido ou um doador vivo. Cada tipo de doação tem suas particularidades.

Doador falecido

A maioria dos transplantes renais realizados no Brasil utiliza órgãos de doadores falecidos. São pacientes que tiveram morte encefálica confirmada, geralmente vítimas de acidentes vasculares cerebrais ou traumatismos cranianos. A doação só ocorre após a autorização expressa da família.

Doador vivo

Uma pessoa saudável pode doar um de seus rins em vida, pois é possível viver normalmente com apenas um órgão. Geralmente, o doador vivo é um parente próximo, como pais, irmãos ou filhos. A doação entre pessoas sem parentesco é menos comum e exige autorização judicial.

A grande vantagem do transplante com doador vivo é que ele pode ser agendado, sem que o receptor precise aguardar na lista de espera. Além disso, a taxa de sucesso e a durabilidade do enxerto costumam ser maiores.

Como é realizada a cirurgia de transplante de rim?

A cirurgia de transplante renal dura, em média, de três a quatro horas. Ao contrário do que muitos imaginam, os rins doentes do receptor geralmente não são retirados. Eles permanecem em seu lugar, a menos que causem problemas como infecções recorrentes ou pressão alta de difícil controle.

Estudos indicam que os rins doentes originais tendem a diminuir de tamanho naturalmente após o transplante, o que, na maioria dos casos, evita a necessidade de uma cirurgia para removê-los antes ou durante o procedimento.

O cirurgião faz uma incisão na parte inferior do abdômen e posiciona o novo rim na pelve. Em seguida, a artéria e a veia do novo rim são conectadas aos vasos sanguíneos do receptor. Por fim, o ureter (canal que leva a urina do rim para a bexiga) do órgão transplantado é ligado à bexiga do paciente, restabelecendo o fluxo urinário.

O que esperar do pós-operatório e da recuperação?

A recuperação inicial acontece no hospital e pode durar de uma a duas semanas. A equipe médica monitora de perto a função do novo rim, que em muitos casos começa a produzir urina imediatamente após a cirurgia.

É essencial um acompanhamento médico constante e rigoroso após a cirurgia. Este monitoramento detalhado protege a saúde do paciente e assegura a boa função do novo rim a longo prazo.

O ponto mais crítico do pós-operatório é a prevenção da rejeição. Como o sistema imunológico do corpo é programado para atacar qualquer corpo estranho, ele pode identificar o novo rim como uma ameaça. Para evitar que isso aconteça, o paciente precisa tomar medicamentos específicos.

A importância dos medicamentos imunossupressores

Os imunossupressores são fármacos que diminuem a atividade do sistema imunológico, impedindo-o de atacar o rim transplantado. Entre os medicamentos utilizados, o tacrolimus é frequentemente prescrito, sendo fundamental para prevenir a rejeição e manter o rim funcionando por muitos anos.

O uso desses medicamentos é obrigatório e deve ser feito por toda a vida. A interrupção ou o uso inadequado da medicação é a principal causa de perda do enxerto.

A evolução da medicina tem permitido o desenvolvimento de novos medicamentos imunossupressores. Essas inovações têm um papel importante na redução das taxas de rejeição e no aumento do sucesso e da sobrevida dos pacientes que receberam o transplante.

É fundamental seguir rigorosamente as orientações médicas sobre doses e horários para garantir o sucesso do transplante a longo prazo.

Um transplante de rim permite ter uma vida normal?

O sucesso de um transplante renal permite que o paciente retome a maioria de suas atividades normais. A qualidade de vida melhora significativamente, com mais liberdade de horários, menos restrições alimentares e mais disposição para o trabalho, estudos e lazer.

Contudo, uma "vida normal" após o transplante inclui uma rotina de cuidados contínuos. O paciente precisará realizar consultas e exames de acompanhamento de forma periódica para monitorar a função do rim e ajustar as doses dos medicamentos. Adotar um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e atividade física, também é crucial para proteger o novo órgão.

Quais são os riscos e as complicações possíveis?

Como todo procedimento cirúrgico de grande porte, o transplante renal envolve riscos. As complicações podem estar relacionadas à cirurgia em si, como sangramentos, infecções ou problemas com os vasos sanguíneos conectados.

Outro risco importante é a rejeição, que pode ser aguda (ocorrendo nos primeiros meses) ou crônica (desenvolvendo-se lentamente ao longo dos anos). Felizmente, hoje existem tratamentos eficazes para reverter a maioria dos episódios de rejeição aguda.

Além disso, o uso contínuo de imunossupressores pode aumentar a suscetibilidade a infecções e o risco de desenvolver outras condições, como diabetes e hipertensão. Por isso, o acompanhamento médico constante é indispensável para prevenir e tratar qualquer complicação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Escrito por
EHS

Equipe Hospital Samaritano

Geral
Escrito por
EHS

Equipe Hospital Samaritano

Geral