Hepatologia

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Sintomas de rejeição de fígado transplantado: o que você precisa saber

Reconheça os sintomas de rejeição de fígado transplantado. Febre, icterícia e dor abdominal são sinais de alerta. Saiba quando contatar sua equipe médica imediatamente.
EHS
Equipe Hospital Samaritano - Geral Atualizado em 19/02/2026
Sintomas de rejeição de fígado transplantado

Aprenda a reconhecer os sinais de alerta que indicam uma possível rejeição do órgão e entenda por que a ação rápida é crucial.

Após a longa jornada de um transplante de fígado, a volta para casa é um momento de alívio e esperança. No entanto, a vigilância com o próprio corpo se torna uma nova rotina. Um cansaço que parece diferente ou uma febre baixa podem gerar uma pontada de preocupação: seria um sinal de rejeição?

O que é a rejeição de um fígado transplantado?

A rejeição é uma reação natural do corpo. O sistema imunológico, programado para defender o organismo de invasores como vírus e bactérias, pode identificar o novo fígado como um corpo estranho e iniciar um ataque contra ele. É por isso que o uso de medicamentos imunossupressores é vital após o procedimento.

Esses medicamentos "acalmam" o sistema imune para que ele não danifique o órgão transplantado. Seguir rigorosamente o horário desses medicamentos é vital para evitar a rejeição, pois falhas na rotina de tratamento podem aumentar drasticamente o risco de complicações no órgão. 

Contudo, mesmo com a medicação adequada, episódios de rejeição podem ocorrer. Identificar os sinais precocemente é a chave para um tratamento eficaz e para a proteção da saúde do novo fígado.

Quais são os principais sintomas de rejeição do fígado?

Os sinais de rejeição podem ser sutis ou evidentes e variam de pessoa para pessoa. É fundamental estar atento a qualquer mudança no seu estado geral de saúde. 

Sintomas como febre, pele amarelada e alterações nos exames das enzimas hepáticas podem ser indicativos de que o corpo está rejeitando o fígado, sendo crucial procurar sua equipe médica imediatamente. 

Os sintomas podem ser agrupados em categorias para facilitar a identificação.

Sinais sistêmicos e gerais

Muitas vezes, os primeiros indicativos são parecidos com os de uma gripe ou mal-estar geral. Eles incluem:

  • Febre: temperatura acima de 37,5 °C sem uma causa aparente, como um resfriado.
  • Cansaço ou fadiga: uma sensação de exaustão que não melhora com o descanso.
  • Mal-estar geral: sentir-se "doente" ou com dores pelo corpo, semelhante a uma virose.
  • Perda de apetite e náuseas.

Sinais visíveis no corpo

Esses sinais estão diretamente ligados à função do fígado e são alertas importantes. Quando o órgão não funciona bem, substâncias como a bilirrubina se acumulam no sangue.

  • Icterícia: coloração amarelada da pele e da parte branca dos olhos.
  • Urina escura: a cor pode se assemelhar a chá-mate ou refrigerante de cola (colúria).
  • Fezes claras: esbranquiçadas ou com a cor de argila (acolia fecal).
  • Coceira na pele (prurido): sem lesões ou picadas aparentes.

Dor e desconforto abdominal

A dor localizada também pode ser um indicativo. A sensibilidade na área do fígado, que fica no quadrante superior direito do abdômen, abaixo das costelas, deve ser comunicada à equipe médica. A dor pode ser constante ou intermitente e piorar ao toque.

Existem diferentes tipos de rejeição?

Sim, a rejeição não é um evento único e pode se manifestar de formas diferentes, principalmente em relação ao tempo e à intensidade. Conhecer os tipos ajuda a entender a importância do acompanhamento contínuo.

A rejeição é aguda quando ocorre entre os primeiros 3 a 6 meses após o transplante. Há o início súbito dos sintomas. É o tipo mais comum e, na maioria dos casos, responde bem ao tratamento quando identificado precocemente.

Quando é o caso de rejeição crônica, ela pode vir a se desenvolver ao longo dos meses. Ela tende a ser mais sutil e progressiva, causando danos graduais ao fígado, especialmente aos ductos biliares. O diagnóstico precoce é crucial para evitar a perda do órgão.

Vale dizer que existe também a rejeição hiperaguda, que é muito rara e ocorre minutos ou horas após a cirurgia, sendo identificada ainda no hospital.

Como a rejeição é confirmada pela equipe médica?

A suspeita de rejeição, baseada nos sintomas, é o primeiro passo. Para confirmar o diagnóstico, a equipe de transplante solicitará alguns exames. Primeiramente, exames de sangue são feitos para medir as enzimas hepáticas (como TGO e TGP) e os níveis de bilirrubina. 

É fundamental monitorar também as alterações em substâncias inflamatórias no sangue após a cirurgia, pois isso pode ajudar a identificar precocemente se o sistema de defesa está tentando rejeitar o fígado transplantado.

Outro ponto importante é o acompanhamento dos níveis de creatinina nos exames. Alterações renais podem indicar riscos adicionais após o transplante de fígado, e qualquer mudança nesses valores deve ser comunicada de imediato à equipe médica. 

Se as alterações nos exames de sangue sugerirem um problema, o procedimento padrão para confirmação é a biópsia hepática. Nela, um pequeno fragmento do fígado é retirado com uma agulha fina para ser analisado em laboratório. A biópsia permite avaliar o grau de inflamação e confirmar se o sistema imune está atacando o órgão.

O que devo fazer ao suspeitar de uma rejeição?

Ao notar qualquer um dos sintomas mencionados, a orientação é única e clara: entre em contato com sua equipe de transplante imediatamente. Não hesite nem espere os sintomas melhorarem sozinhos. A detecção precoce é o fator mais importante para o sucesso do tratamento.

Mantenha um registro dos seus sintomas, incluindo quando começaram e sua intensidade. Anote também sua temperatura e qualquer outra mudança que tenha percebido. Essas informações são valiosas para a equipe médica.

É possível prevenir a rejeição do fígado?

A principal forma de prevenção é a adesão rigorosa ao tratamento com os medicamentos imunossupressores. Estudos recentes mostram que a falha em tomar os medicamentos corretamente causa até 90% das rejeições tardias, tornando o acompanhamento rigoroso da rotina essencial para evitar que o corpo ataque o novo fígado. 

Tomar os remédios exatamente como prescrito, nos horários corretos e sem interrupções, é fundamental para manter o sistema imunológico sob controle e proteger o novo órgão.

Além disso, comparecer a todas as consultas de acompanhamento e realizar os exames de rotina solicitados permite que a equipe monitore a função do seu fígado de perto. Esse monitoramento contínuo pode detectar sinais de rejeição antes mesmo que os sintomas apareçam.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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