
Cansaço, manchas roxas e febre persistente podem ser sinais de alerta. Entenda a diferença e a importância do diagnóstico precoce.
Crianças são naturalmente ativas, mas quando o cansaço parece não passar mesmo após uma boa noite de sono e manchas na pele se tornam frequentes, um sinal de alerta pode acender. É importante que pais e cuidadores estejam vigilantes, pois a leucemia pode ter um impacto significativo na saúde de crianças com menos de cinco anos, exigindo uma observação rigorosa de possíveis sinais da doença.
O que é a leucemia infantil?
A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células-tronco da medula óssea, a fábrica do nosso sangue. Em uma criança saudável, a medula produz glóbulos vermelhos (para carregar oxigênio), glóbulos brancos (para combater infecções) e plaquetas (para coagular o sangue).
Na leucemia, esse processo sofre um erro. A medula passa a produzir glóbulos brancos anormais, chamados blastos, de forma descontrolada. Essas células doentes não funcionam corretamente e se multiplicam rapidamente, ocupando o espaço das células saudáveis e comprometendo a produção de sangue normal.
Os tipos mais comuns na infância são a Leucemia Linfoide Aguda (LLA), que corresponde a cerca de 75% dos casos, e a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
É importante saber que os sintomas da leucemia em crianças podem aparecer anos após mutações genéticas silenciosas que ocorreram ainda durante a gestação. Nesses casos, um diagnóstico especializado é crucial para identificar gatilhos imunológicos incomuns que podem surgir após infecções comuns.
A leucemia possui a capacidade de alterar a medula óssea para que as células cancerígenas consigam se "esconder" do sistema imunológico do corpo. Por isso, investigar sinais persistentes com especialistas em oncopediatria é fundamental.
Quais são os principais sintomas de leucemia em crianças?
Os sinais da leucemia infantil derivam diretamente da falha na produção de células sanguíneas normais e do acúmulo das células doentes no organismo. Eles podem ser agrupados em três categorias principais.
Sinais ligados à falta de células sanguíneas saudáveis
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Palidez, cansaço e fraqueza: a redução dos glóbulos vermelhos leva à anemia. A criança pode parecer mais pálida, ter menos energia para brincar e sentir falta de ar durante atividades físicas.
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Manchas roxas e sangramentos: a queda no número de plaquetas dificulta a coagulação. Surgem hematomas (manchas roxas) com facilidade, mesmo sem grandes traumas, e pequenos pontos vermelhos na pele, chamados petéquias. Sangramentos no nariz ou gengiva também podem ocorrer.
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Infecções e febre recorrentes: a falta de glóbulos brancos de defesa funcionais deixa o organismo vulnerável a bactérias e vírus. A criança pode apresentar infecções frequentes ou uma febre que persiste sem causa aparente.
Sinais de acúmulo de células leucêmicas
As células cancerígenas podem se acumular em diferentes partes do corpo, gerando outros sintomas:
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Dores nos ossos e articulações: o excesso de células dentro da medula óssea pode causar pressão e dor, muitas vezes nas pernas ou braços. A criança pode mancar ou evitar andar.
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Inchaço de gânglios (ínguas): é comum o aumento dos linfonodos no pescoço, axilas e virilha.
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Abdômen inchado: as células leucêmicas podem se acumular no fígado e no baço, causando um aumento do volume da barriga.
Sintomas gerais e neurológicos
O quadro geral da criança também pode ser afetado, resultando em perda de apetite e de peso não intencional. Em casos mais raros, a leucemia pode atingir o sistema nervoso central, provocando dores de cabeça, vômitos, tontura ou visão turva.
Por que os sintomas podem ser confundidos com doenças comuns?
Febre, cansaço, palidez e manchas roxas são queixas comuns na pediatria. Uma virose, um estirão de crescimento ou uma brincadeira mais intensa podem causar sinais semelhantes. A grande diferença, no caso da leucemia, está na combinação e, principalmente, na persistência desses sintomas.
Enquanto os sinais de uma doença comum melhoram em alguns dias, os da leucemia tendem a piorar progressivamente. A chave é observar se um conjunto de sintomas atípicos se instala e não desaparece com o tempo. Por exemplo, uma criança que está pálida, cansada e com febre persistente por mais de uma semana requer atenção médica imediata.
Como é feito o diagnóstico da leucemia infantil?
A suspeita de leucemia começa com a avaliação do pediatra, que irá analisar o histórico da criança e realizar um exame físico completo. Se houver suspeita, o primeiro exame solicitado é o hemograma completo.
Este exame de sangue pode revelar alterações importantes, como anemia, baixa de plaquetas e, principalmente, a presença de blastos circulando no sangue. Um resultado alterado não confirma o diagnóstico, mas é um forte indicativo.
A confirmação definitiva é feita por meio de exames mais específicos, como o mielograma (análise de uma amostra de medula óssea) e a biópsia da medula óssea. Estes testes identificam o tipo exato de leucemia e ajudam a definir o melhor plano de tratamento.
Qual a importância do tratamento em um centro especializado?
As taxas de recuperação da leucemia infantil são elevadas, podendo chegar a mais de 90% quando a doença é diagnosticada e tratada por especialistas. É importante notar que alterações imunológicas na infância podem sinalizar leucemias, reforçando a importância do diagnóstico precoce. O tratamento é complexo e exige uma equipe multidisciplinar altamente especializada, com oncologistas pediátricos, hematologistas, enfermeiros e outros profissionais da saúde.
Estruturas de ponta, como as oferecidas pela oncopediatria do Hospital Samaritano, são fundamentais para garantir o acesso aos melhores protocolos de tratamento, suporte integral à criança e à família, e manejo adequado dos possíveis efeitos colaterais. A abordagem individualizada e a expertise da equipe fazem toda a diferença nos resultados.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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