
A fase mais perigosa da dengue pode começar justamente quando a febre desaparece. Entenda quais sintomas exigem atenção imediata.
A febre alta, que durou dias, finalmente cedeu. O alívio, no entanto, dá lugar a uma nova preocupação quando outros sintomas aparecem. Essa transição é conhecida como fase crítica da dengue, que geralmente se inicia entre o terceiro e o sétimo dia da doença, quando a febre desaparece.
É nesse período que a atenção deve ser redobrada, pois podem surgir sinais da forma grave da doença, popularmente chamada de dengue hemorrágica. Complicações sérias, como hemorragias ou extravasamento de plasma que pode levar ao choque, são comuns nessa fase.
Diferenciar o desconforto esperado de um quadro de alerta é fundamental. Saber quais são os verdadeiros sinais de agravamento pode ser decisivo para uma recuperação segura e completa.
O que diferencia a dengue clássica da dengue grave?
A dengue é uma doença única com diferentes apresentações. Na sua forma clássica, os sintomas mais comuns são febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de manchas vermelhas na pele. Geralmente, o quadro melhora com repouso, hidratação e medicação sintomática.
A dengue grave, por sua vez, é uma evolução desse quadro. Ela ocorre quando há um extravasamento de plasma, que é a parte líquida do sangue, para fora dos vasos sanguíneos. Esse fenômeno, segundo o Ministério da Saúde, pode levar a sangramentos, queda drástica da pressão arterial e, em casos extremos, ao choque, que pode ser fatal.
Por que os sinais de alarme surgem quando a febre baixa?
Pode parecer contraditório, mas o período de maior risco da dengue costuma ser nas 24 a 48 horas após o fim da febre. Nessa fase, a resposta do sistema imunológico ao vírus pode provocar um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos.
Essa disfunção vascular grave é a principal característica patológica da dengue. Ela leva a sinais de gravidade como dor intensa, vômitos e sangramentos que podem exigir internação. É essa saída de líquido dos vasos que causa os principais sintomas de alarme. O corpo perde volume sanguíneo circulante, as plaquetas (células de coagulação) podem cair e o risco de hemorragias e colapso circulatório aumenta significativamente.
Quais são os principais sinais de alerta da dengue grave?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define um conjunto claro de sinais de alerta que indicam a possível evolução para um quadro grave. A presença de qualquer um deles justifica a busca por atendimento médico de emergência.
Dor abdominal intensa e contínua
Não se trata de um simples mal-estar na barriga. A dor é forte, persistente e muitas vezes descrita como uma pontada ou pressão que não melhora. Pacientes com dengue grave frequentemente apresentam dor abdominal intensa e contínua, que pode indicar o inchaço de órgãos ou a presença de líquido na cavidade abdominal, um sinal do extravasamento de plasma. A presença dessa dor contínua é um alerta de gravidade que exige avaliação médica urgente.
Vômitos persistentes
Vomitar algumas vezes durante a dengue pode ser comum. No entanto, vômitos persistentes são um sintoma de alerta frequente em pacientes com a doença, exigindo atenção imediata. O sinal de alerta é quando os vômitos se tornam frequentes, ocorrendo várias vezes em um curto período.
Por exemplo, três ou mais episódios em uma hora ou sempre que a pessoa come ou bebe. Vômitos persistentes impedem a hidratação oral, que é a base do tratamento, acelerando a desidratação e o desequilíbrio do corpo. Tais episódios são alertas de gravidade que exigem avaliação médica urgente.
Sangramentos em mucosas
O aparecimento de sangramentos espontâneos é um sinal clássico de gravidade, exigindo atenção imediata, principalmente após a febre baixar. Fique atento a:
- Gengivas: sangramento ao escovar os dentes ou de forma espontânea.
- Nariz (epistaxe): sangramento nasal que não para facilmente.
- Manchas na pele: pequenas manchas vermelhas (petéquias) ou grandes manchas roxas (equimoses) que surgem sem que tenha havido um trauma local.
- Sangue na urina (hematúria) ou fezes: pacientes com dengue podem apresentar sangue na urina. As fezes podem ficar muito escuras, com aspecto de borra de café (melena), indicando sangramento digestivo.
Sinais de queda da pressão (choque)
A queda da pressão arterial é um sinal tardio e muito grave. Os sintomas que a antecedem são chamados de sinais de choque e incluem:
- Tontura ao se levantar ou sensação de desmaio.
- Pele pálida, fria e úmida.
- Respiração acelerada e dificuldade para respirar.
Alterações neurológicas e cansaço extremo
A letargia, que é uma sonolência excessiva e dificuldade em se manter acordado, é um sinal preocupante. Da mesma forma, irritabilidade extrema ou confusão mental também indicam que o quadro está se agravando e afetando o sistema nervoso central. Um cansaço que impede a pessoa de realizar tarefas mínimas, como ir ao banheiro, não deve ser ignorado.
O que fazer ao identificar um sinal de alerta?
A conduta é única e inegociável: procure imediatamente um pronto-socorro ou uma unidade de saúde de emergência. Não espere os sintomas piorarem nem tente manejá-los em casa. A dengue grave exige monitoramento hospitalar intensivo, com hidratação venosa e, em alguns casos, transfusões de sangue ou plaquetas.
É fundamental evitar a automedicação. Medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios não esteroides são contraindicados, pois aumentam o risco de hemorragias.
Existe tratamento para a dengue grave?
Não há um medicamento específico que cure a dengue. O tratamento da forma grave é de suporte e visa a reverter os efeitos do extravasamento plasmático e do choque. A base do tratamento hospitalar é a reposição de líquidos pela veia, de forma controlada e monitorada, para estabilizar a pressão arterial e garantir o funcionamento dos órgãos.
Quando o diagnóstico é feito e o tratamento iniciado rapidamente, as chances de recuperação são altas. Por isso, a informação e a atenção aos sinais de alerta são as ferramentas mais eficazes para prevenir desfechos fatais.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
