Hepatologia

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Como funciona o transplante de fígado com doador vivo

Entenda o passo a passo do transplante de fígado com doador vivo, a capacidade de regeneração do órgão, os critérios de compatibilidade e os riscos.
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Equipe Hospital Samaritano - Geral Atualizado em 19/02/2026
Como funciona o transplante de fígado com doador vivo

Saiba como a capacidade de regeneração do fígado torna possível este procedimento que pode reduzir o tempo de espera na fila do transplante.

Receber a notícia de que um familiar ou amigo precisa de um transplante de fígado pode ser um momento de grande angústia e incerteza. A espera na fila por um órgão compatível é um dos maiores desafios. Nesse cenário, o transplante com doador vivo surge como uma alternativa que pode salvar vidas.

Diferente de outros órgãos, o fígado possui uma notável capacidade de se regenerar. Isso permite que uma pessoa saudável doe uma parte do seu fígado para outra, com segurança para ambos. A seguir, explicamos como este procedimento complexo e transformador funciona.

O que é o transplante de fígado com doador vivo?

O transplante de fígado com doador vivo, também chamado de transplante intervivos, é um procedimento cirúrgico no qual um voluntário saudável doa parte do seu fígado. Este processo permite a recuperação e regeneração funcional do órgão tanto para o doador quanto para o receptor.

A porção do fígado doado é então implantada em um paciente cujo fígado não funciona mais adequadamente. Durante a cirurgia, equipes médicas trabalham simultaneamente com o doador e o receptor. 

Para o doador, remove-se uma parte do fígado, geralmente o lobo direito (cerca de 60-70% do órgão) para um receptor adulto, ou o lobo esquerdo (uma porção menor) para uma criança. Em seguida, o fígado doente do receptor é completamente removido e substituído pela parte saudável doada.

Como o fígado do doador e do receptor se regenera?

A característica mais extraordinária do fígado é sua capacidade regenerativa. No transplante com doador vivo, retira-se apenas uma parte do fígado, garantindo que o órgão restante no doador se regenere e o mantenha plenamente saudável.

Após a cirurgia, tanto a porção de fígado remanescente no doador quanto o segmento transplantado no receptor começam a crescer rapidamente. Esse processo de regeneração é impulsionado pelas próprias células hepáticas, chamadas hepatócitos, que se multiplicam até que o órgão atinja o tamanho e a capacidade funcional necessários para cada indivíduo. 

Geralmente, o fígado recupera seu volume original em um período de 6 a 8 semanas, um processo biológico fundamental para a viabilidade deste tipo de transplante.

Quem pode ser um doador vivo de fígado?

A decisão de ser um doador vivo é um ato voluntário e altruísta. Para doar parte do fígado, o familiar deve passar por avaliações médicas e psicológicas detalhadas. Essas avaliações rigorosas garantem a segurança e o bem-estar do doador, tanto antes quanto após a cirurgia. A prioridade de toda a equipe de saúde é sempre o bem-estar do doador. 

Os critérios gerais incluem os detalhados a seguir.

Critérios básicos de saúde

O candidato a doador deve ter entre 18 e 55 anos, em média, e apresentar excelente estado de saúde geral. Isso significa:

  • Não ter histórico de doenças hepáticas, como hepatite B ou C.
  • Não possuir doenças crônicas graves, como diabetes descompensado, câncer, doenças cardíacas ou pulmonares.
  • Ter um índice de massa corporal (IMC) dentro de uma faixa saudável para evitar o acúmulo de gordura no fígado.
  • Não ser usuário de drogas ilícitas ou consumir álcool em excesso.

Compatibilidade sanguínea e anatômica

A compatibilidade é um fator crucial para o sucesso do transplante. O primeiro passo é verificar a compatibilidade do tipo sanguíneo (ABO), que segue as mesmas regras de uma transfusão de sangue.

Além disso, o doador passa por exames de imagem detalhados, como tomografia e ressonância magnética. Estes exames permitem à equipe cirúrgica avaliar o tamanho do fígado, sua anatomia e a estrutura dos vasos sanguíneos e dutos biliares, garantindo que a cirurgia seja tecnicamente possível e segura.

Avaliação psicossocial

A doação deve ser uma escolha livre e consciente, sem qualquer tipo de coação. Por isso, uma avaliação com psicólogos e assistentes sociais faz parte do processo. O objetivo é confirmar que o candidato compreende todos os aspectos do procedimento, incluindo os riscos, o tempo de recuperação e o impacto emocional da doação.

Quais são as etapas do processo de doação?

O caminho para se tornar um doador vivo é estruturado em fases para garantir uma análise completa e segura. Embora os protocolos possam variar entre os centros de transplante, as etapas geralmente são:

  1. Avaliação inicial: consulta com a equipe de transplante para esclarecer dúvidas e realizar os primeiros exames de sangue para verificar a compatibilidade e a saúde geral do fígado.
  2. Exames detalhados: se a avaliação inicial for positiva, o candidato realiza uma série de exames mais aprofundados, incluindo testes cardíacos, pulmonares e de imagem.
  3. Análise multidisciplinar: os resultados são discutidos por uma equipe completa, composta por cirurgiões, hepatologistas, anestesistas, psicólogos e outros especialistas, que decidem em conjunto pela aprovação do doador.
  4. Agendamento: com a aprovação, a cirurgia é agendada em uma data conveniente para o doador e o receptor.
  5. Cirurgia e recuperação: o doador geralmente permanece no hospital por cerca de 5 a 7 dias. No dia seguinte à cirurgia, o voluntário já consegue caminhar e se alimentar. A recuperação completa, com retorno às atividades normais, pode levar de 1 a 3 meses.

Quais são os riscos para o doador vivo?

Toda cirurgia de grande porte envolve riscos, e a doação de parte do fígado não é exceção. No entanto, o transplante com doador vivo é considerado altamente seguro para pessoas jovens e saudáveis. Mais de 92% das cirurgias de retirada de parte do fígado ocorrem sem qualquer complicação grave.

O processo de avaliação rigoroso visa minimizar ao máximo essas complicações, mas é fundamental que o doador esteja ciente delas. Os riscos potenciais incluem complicações comuns a qualquer cirurgia, como sangramento, infecção ou reações à anestesia. 

Existem também riscos específicos do procedimento, como vazamento de bile (fístula biliar) ou problemas nos ductos biliares. Embora raras, complicações graves podem ocorrer, e a equipe médica discutirá todos os cenários de forma transparente com o candidato.

Quais as vantagens do transplante com doador vivo?

A principal vantagem é a redução drástica do tempo de espera. Pacientes em estado grave na fila de transplante podem não ter tempo hábil para aguardar um órgão de doador falecido. O transplante intervivos permite que a cirurgia seja planejada e realizada em um momento ideal para a saúde do receptor.

Além disso, como o doador é uma pessoa saudável e o órgão é retirado em condições ideais, o fígado doado tende a ter uma excelente qualidade, o que pode contribuir para melhores resultados pós-transplante. A decisão de doar é um ato de imensa generosidade, mas que deve ser acompanhado de informação e suporte médico especializado.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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