Reumatologia

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Causas do lúpus: por que a doença se desenvolve?

Entenda por que o lúpus não tem uma causa única. Explore os fatores genéticos, hormonais e ambientais que podem desencadear esta doença autoimune e saiba mais.
EHS
Equipe Hospital Samaritano - Geral Atualizado em 05/02/2026

Entenda a complexa interação entre genética, hormônios e ambiente que pode levar o sistema imunológico a atacar o próprio corpo.

Receber um diagnóstico de lúpus, ou ter alguém próximo nessa situação, costuma gerar uma pergunta imediata: "por quê?". A busca por uma resposta clara e única é natural, mas a ciência mostra que a origem do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é multifatorial, ou seja, envolve uma complexa interação de diferentes elementos.

É importante entender que o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune. Nela, o sistema de defesa do corpo ataca por engano tecidos saudáveis em múltiplas partes do organismo. 

Não existe um único culpado. Em vez disso, o lúpus se manifesta quando uma pessoa com predisposição genética é exposta a determinados gatilhos ambientais e influenciada por fatores hormonais. Juntos, eles criam o cenário para que o sistema imunológico, que deveria defender o corpo, passe a atacá-lo.

Afinal, o que causa o lúpus?

A causa exata do lúpus ainda não é totalmente conhecida. Contudo, a pesquisa científica mais influente indica que a doença é complexa, surgindo da interação de fatores congênitos (genéticos) e fatores adquiridos (ambientais/imunológicos). Essa interação de fatores resulta na produção excessiva de autoanticorpos.

É importante notar que não existe uma causa única e isolada para seu desenvolvimento. Pense nisso como uma "tempestade perfeita". A genética fornece a base, a suscetibilidade. Os hormônios podem modular a intensidade da resposta imune. Essa combinação leva à produção de autoanticorpos, responsáveis pela inflamação e pelos danos a tecidos e órgãos. 

A principal razão por trás do dano acelerado nos vasos sanguíneos de pacientes com lúpus é uma profunda desregulação do sistema imunológico, com destaque para a disfunção do interferon tipo 1 e de células de defesa chamadas neutrófilos.

Qual é o papel da genética no desenvolvimento do lúpus?

A genética é um dos pilares mais importantes na compreensão do lúpus. Ter certos genes pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver a doença. Estudos indicam que a genética explica cerca de 44% do risco de desenvolver lúpus. Isso não significa que ela é puramente hereditária, mas sim que a suscetibilidade pode ser passada entre gerações.

A maior parte da causa, aproximadamente 56%, está ligada a fatores ambientais, como exposições e estilo de vida. Parentes de primeiro grau de pessoas com lúpus têm uma chance maior de desenvolver a doença. No entanto, é importante frisar que a maioria dos familiares de pacientes nunca manifestará o lúpus. A presença dos genes de risco apenas aumenta a probabilidade, não a garante.

A importância do histórico familiar

Conhecer o histórico de saúde da família é uma ferramenta valiosa. Se houver casos de lúpus ou outras doenças autoimunes (como tireoidite de Hashimoto ou artrite reumatoide), é um sinal para ficar mais atento a possíveis sintomas e discuti-los com um médico. Essa informação ajuda no diagnóstico precoce e no manejo da condição.

Como os fatores hormonais influenciam a doença?

O fato de o lúpus ser cerca de nove vezes mais comum em mulheres do que em homens, especialmente durante a idade fértil (entre 15 e 45 anos), aponta para uma forte influência hormonal. O principal hormônio investigado nesse contexto é o estrogênio. A doença é desencadeada pela interação de fatores internos, como a genética e os hormônios, e fatores externos, como os ambientais.

Acredita-se que o estrogênio possa modular o sistema imunológico, tornando-o mais reativo. Isso explicaria por que os sintomas podem surgir ou piorar durante períodos de grandes flutuações hormonais, como a puberdade, a gravidez ou ao iniciar o uso de contraceptivos orais. Após a menopausa, quando os níveis de estrogênio caem, a incidência de novos casos de lúpus também diminui.

Quais são os principais gatilhos ambientais conhecidos?

Os gatilhos ambientais são os fatores externos que podem "ativar" o lúpus em uma pessoa geneticamente predisposta. Eles são variados e nem sempre é possível identificar um único evento desencadeador. Como mencionado, cerca de 56% do risco de desenvolver lúpus está associado a fatores ambientais, incluindo diversas exposições e escolhas de estilo de vida. Os mais conhecidos incluem:

  • Exposição à luz solar: A radiação ultravioleta (UV) é um dos gatilhos mais documentados. A exposição ao sol pode causar a morte de células da pele, liberando material genético que provoca uma forte reação do sistema imunológico em pessoas suscetíveis.
  • Infecções: Certos vírus e bactérias podem iniciar uma resposta imune que, por engano, passa a atacar as próprias células do corpo. Infecções pelo vírus Epstein-Barr, por exemplo, já foram associadas ao desenvolvimento de doenças autoimunes.
  • Uso de certos medicamentos: Em casos mais raros, alguns fármacos podem induzir uma condição chamada "lúpus induzido por drogas". Os sintomas geralmente desaparecem após a suspensão do medicamento, mas é fundamental que isso seja feito sob orientação médica. Medicamentos para hipertensão, convulsões e antibióticos estão entre os mais citados.
  • Tabagismo: Fumar é um fator de risco conhecido não apenas para o desenvolvimento do lúpus, mas também para o agravamento dos sintomas e menor eficácia do tratamento. As toxinas do cigarro podem estimular a inflamação crônica no corpo.

O estresse emocional pode despertar o lúpus?

Embora o estresse não seja considerado uma causa direta, há evidências crescentes de que ele desempenha um papel importante como gatilho ou fator de agravamento do lúpus. Períodos de estresse físico ou emocional intenso podem desregular o sistema imunológico.

O estresse crônico leva a um aumento de hormônios como o cortisol, que, em níveis persistentemente altos, pode alterar a função das células de defesa. Para muitos pacientes, crises de lúpus (flares) são precedidas por eventos de vida estressantes. Portanto, o manejo do estresse é uma parte crucial do controle da doença.

É possível prevenir o lúpus?

Não é possível prevenir a predisposição genética ao lúpus. Contudo, para quem sabe que tem um risco aumentado, como ter um familiar próximo com a doença, é possível adotar medidas para evitar ou minimizar a exposição aos gatilhos conhecidos.

Entender as causas do lúpus é o primeiro passo para aprender a conviver com a doença e gerenciá-la de forma eficaz. A comunicação aberta com uma equipe de saúde especializada é essencial para criar um plano de cuidados individualizado.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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