
Aquele cansaço que não passa e dores nas costas podem ser sinais importantes. Entenda quais sintomas merecem uma avaliação médica.
Aquela dor nas costas que não melhora, um cansaço que nem o café mais forte consegue afastar ou um resfriado que parece emendar no outro. Muitas vezes, atribuímos esses sinais à rotina agitada ou ao estresse. Contudo, quando eles se tornam persistentes, podem ser um alerta do corpo para algo mais sério, como um problema na medula óssea.
A medula óssea é a fábrica do nosso sangue, responsável por produzir as células que transportam oxigênio, defendem o corpo e ajudam na coagulação. Quando essa produção é afetada por células cancerígenas, todo o organismo sente o impacto.
A presença de câncer na medula óssea pode afetar a produção normal de células sanguíneas (hematopoiese), particularmente a formação de células mieloides. Isso pode se manifestar em exames de sangue alterados, fadiga extrema e um aumento no risco de infecções.
O que é o câncer de medula óssea?
O termo "câncer de medula óssea" refere-se a neoplasias que se originam nas células da medula. Em condições normais, ela produz glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas de forma equilibrada. No câncer, um tipo de célula começa a se multiplicar de forma descontrolada, prejudicando a produção das células saudáveis.
Existem diferentes tipos, mas os principais são:
- Mieloma múltiplo: é o tipo mais comum. Afeta os plasmócitos, um tipo de glóbulo branco que produz anticorpos. As células do mieloma se acumulam na medula óssea, danificando os ossos e a produção de sangue.
- Leucemias: afetam outras linhagens de glóbulos brancos. Dependendo da velocidade de progressão e do tipo de célula afetada, são classificadas como linfoides ou mieloides, agudas ou crônicas.
Quais são os principais sintomas de câncer na medula óssea?
Os sintomas geralmente surgem devido à falta de células sanguíneas normais ou ao acúmulo das células doentes no corpo. Eles podem ser agrupados de acordo com sua causa principal.
Sinais relacionados à produção de células sanguíneas
Quando as células cancerígenas tomam o espaço da medula óssea, a produção de células saudáveis diminui, causando um quadro conhecido como insuficiência medular. Os efeitos incluem:
- Fadiga extrema, palidez e fraqueza: são sintomas clássicos da anemia, causada pela baixa contagem de glóbulos vermelhos (hemácias).
A anemia, que se manifesta por fadiga e fraqueza, é um sintoma central de doenças neoplásicas da medula óssea, como as síndromes mielodisplásicas.
Quando a causa da anemia não é clara em exames iniciais, uma investigação detalhada da medula, incluindo exames citológicos, de citometria de fluxo e moleculares, é crucial para a confirmação.
- Infecções recorrentes: a redução de glóbulos brancos saudáveis (leucopenia) compromete o sistema imunológico, tornando o corpo mais vulnerável a bactérias e vírus.
O câncer de medula óssea, como as neoplasias mieloproliferativas crônicas, é frequentemente impulsionado pela inflamação crônica, o que pode aumentar significativamente o risco de infecções recorrentes.
- Hematomas e sangramentos: manchas roxas que aparecem com facilidade, sangramento no nariz ou nas gengivas podem ser sinal de poucas plaquetas (trombocitopenia), as células responsáveis pela coagulação.
Sinais relacionados aos ossos e ao cálcio
Estes sintomas são particularmente comuns no mieloma múltiplo, que afeta diretamente a estrutura óssea.
- Dor óssea: é o sintoma mais frequente, geralmente localizado na coluna, costelas e quadris. A dor pode ser contínua e piorar com o movimento.
- Fraturas: os ossos ficam mais frágeis e podem quebrar com traumas mínimos ou até mesmo de forma espontânea. Pacientes com câncer de medula óssea podem apresentar um risco aumentado de fraturas ósseas, inclusive por osteoporose, devido à inflamação crônica que impulsiona a doença.
- Sintomas de hipercalcemia: quando o osso é destruído, o cálcio é liberado no sangue. Níveis elevados de cálcio (hipercalcemia) podem causar sede excessiva, náuseas, constipação, perda de apetite e confusão mental.
Sinais sistêmicos e renais
O excesso de proteínas anormais produzidas pelas células do mieloma e os altos níveis de cálcio podem sobrecarregar os rins.
- Problemas renais: a função dos rins pode ser afetada, levando a sintomas como inchaço nas pernas e diminuição do volume de urina. A falência renal é uma das complicações graves que podem surgir em pacientes com câncer de medula óssea, frequentemente impulsionado pela inflamação crônica.
- Perda de peso inexplicada: emagrecer sem estar fazendo dieta ou exercícios é um sinal de alerta para diversas doenças, incluindo o câncer.
- Formigamento ou fraqueza nas pernas: em casos mais avançados, o colapso de uma vértebra pode comprimir nervos da medula espinhal, causando dormência.
- Coágulos sanguíneos: A inflamação crônica associada ao câncer de medula óssea também pode aumentar o risco de trombose, ou seja, a formação de coágulos sanguíneos.
Como é feito o diagnóstico do câncer de medula óssea?
Se você apresenta vários desses sintomas de forma persistente, é fundamental procurar avaliação médica. O especialista indicado para investigar essas suspeitas é o médico hematologista, que cuida das doenças do sangue.
O diagnóstico envolve uma série de exames para confirmar a doença, identificar o tipo e avaliar sua extensão:
- Exames de sangue e urina: podem detectar anemia, alterações na contagem de células, problemas renais e a presença de proteínas anormais (proteína M), um marcador do mieloma múltiplo.
- Mielograma: consiste na aspiração de uma pequena amostra da medula óssea, geralmente do osso do quadril, para análise das células em laboratório.
- Biópsia da medula óssea: similar ao mielograma, retira um pequeno fragmento do osso para uma análise mais detalhada da arquitetura da medula. Para a confirmação de doenças malignas na medula óssea, como o mieloma múltiplo, a biópsia é essencial. A simples aspiração pode não ser suficiente, pois falhou em diagnosticar o câncer em mais da metade dos casos analisados (23 de 45 pacientes).
- Exames de imagem: radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética ajudam a identificar lesões e fraturas nos ossos.
O diagnóstico de neoplasias que afetam a medula óssea, como as mieloproliferativas, é complexo e deve ser baseado em uma combinação de fatores. Isso inclui as características do sangue (hematológicas), a análise do tecido da medula (histopatológicas) e a presença de alterações genéticas específicas (estudos moleculares).
O câncer de medula óssea tem tratamento?
Sim, existem diversas opções de tratamento. Embora em alguns casos, como o mieloma múltiplo, a doença seja considerada crônica, os avanços na medicina permitem um controle eficaz, proporcionando qualidade de vida e longos períodos de remissão.
O plano de tratamento é individualizado e depende do tipo de câncer, do estágio da doença e das condições de saúde do paciente. As abordagens podem incluir quimioterapia, terapia-alvo, imunoterapia e, em alguns casos, o transplante de medula óssea.
Acompanhamento médico regular e a adesão ao tratamento são cruciais para o manejo da doença e a prevenção de complicações. Nunca ignore sinais persistentes e busque sempre orientação profissional.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

