
Entenda como a radioterapia interna age diretamente no tumor, preservando os tecidos saudáveis ao redor e otimizando o tratamento.
Receber o diagnóstico de um câncer e ouvir um termo como "braquiterapia" pode gerar muitas dúvidas e ansiedade. Trata-se de uma palavra técnica que, à primeira vista, soa complexa, mas seu princípio é um avanço fundamental na oncologia: tratar o tumor de dentro para fora, de forma precisa e eficaz.
O que é braquiterapia?
A braquiterapia é um tipo de radioterapia em que fontes radioativas são inseridas diretamente no local do tumor ou na cavidade onde ele se encontrava. O nome vem do grego "brachy", que significa "perto" ou "curta distância". Essa proximidade é a chave de todo o processo.
Diferente da radioterapia convencional, a braquiterapia é um procedimento que usa um cateter inserido uma única vez para aplicar a radiação. Em alguns casos, pode-se também administrar medicamentos, tudo de forma precisa e direta dentro do tumor.
Ao posicionar a radiação em contato direto com as células cancerígenas, o tratamento consegue entregar uma dose alta e concentrada de energia para destruir o tumor, minimizando a exposição dos tecidos saudáveis que estão ao redor. Por essa característica, é comumente chamada de "radioterapia interna".
Quando a braquiterapia é indicada?
A braquiterapia é um componente fundamental da radioterapia e pode ser usada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos, como a radioterapia externa ou a cirurgia. A indicação depende do tipo, tamanho e localização do tumor.
É mais utilizada principalmente no tratamento de câncer de próstata e cânceres ginecológicos, como os de endométrio e colo de útero. Alguns dos cânceres mais comumente tratados com essa técnica incluem:
- Câncer de colo de útero: é uma das principais aplicações, com altas taxas de sucesso.
- Câncer de próstata: sementes radioativas podem ser implantadas permanentemente na glândula.
- Câncer de mama: utilizada em casos selecionados, geralmente após a cirurgia conservadora (lumpectomia).
- Câncer de pele: uma alternativa eficaz à cirurgia para tumores em áreas sensíveis.
- Outros tumores: pode ser aplicada em casos de câncer de endométrio, vagina, esôfago e olho.
Quais são os tipos de braquiterapia?
O tratamento pode ser classificado de acordo com a taxa de dose de radiação liberada e a duração do implante. A equipe médica define a melhor abordagem para cada paciente.
Quanto à taxa de dose
Existem dois tipos principais:
- Braquiterapia de Alta Taxa de Dose (HDR): a fonte radioativa é potente e permanece no local por poucos minutos em cada sessão. O paciente realiza várias sessões ambulatoriais.
- Braquiterapia de Baixa Taxa de Dose (LDR): A fonte libera radiação de forma mais lenta e contínua, por horas ou dias. Para o câncer de próstata, a LDR é um tipo de radiação interna indicada como tratamento definitivo. Ela entrega uma dose alta e precisa diretamente na glândula em cerca de 1 a 2 horas, o que ajuda a proteger órgãos próximos como a bexiga e o reto. Em alguns casos, os implantes (sementes) são permanentes e sua radioatividade decai naturalmente com o tempo.
Quanto ao local da aplicação
A forma como a fonte radioativa é posicionada também varia:
- Intracavitária: a fonte é inserida em uma cavidade natural do corpo, como o útero ou a vagina.
- Intersticial: agulhas, fios ou cateteres com o material radioativo são inseridos diretamente no tecido do tumor.
Como o tratamento é realizado?
O procedimento é cuidadosamente planejado e executado em um ambiente hospitalar seguro, por uma equipe especializada em radio-oncologia.
1. Planejamento
Antes do tratamento, são realizados exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Com base nessas imagens, o físico médico e o radio-oncologista calculam a dose exata de radiação necessária e a melhor forma de posicionar os aplicadores para atingir o tumor e proteger os órgãos vizinhos.
2. Aplicação
O procedimento é geralmente feito com anestesia (sedação, raquidiana ou geral) para garantir o conforto do paciente. O médico insere os aplicadores, que são pequenos tubos ou agulhas, na região a ser tratada. Esses aplicadores servirão como um caminho para a fonte radioativa.
3. Tratamento
Com os aplicadores posicionados, o paciente é levado a uma sala especial. O equipamento de braquiterapia conecta a fonte de radiação aos aplicadores. A fonte percorre os canais e permanece no local planejado pelo tempo calculado (de minutos na HDR a dias na LDR). Durante esse período, a equipe monitora tudo de uma sala ao lado.
4. Finalização
Ao final da sessão, a fonte radioativa é recolhida de volta para o equipamento. No caso de implantes temporários, os aplicadores são removidos. O paciente não fica com nenhuma radiação no corpo. No caso de implantes permanentes (sementes), a radioatividade diminui até se tornar inativa.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
Como a braquiterapia é um tratamento localizado, os efeitos colaterais tendem a se restringir à área tratada. Eles variam conforme a região do corpo e geralmente são temporários.
Alguns efeitos comuns podem incluir:
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Fadiga ou cansaço leve nos dias seguintes ao procedimento.
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Irritação, inchaço ou sensibilidade na área tratada (pele, bexiga, intestino).
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No tratamento ginecológico, pode ocorrer sangramento vaginal leve ou alterações urinárias e intestinais temporárias.
No tratamento de câncer de próstata, a braquiterapia de Alta Taxa de Dose (HDR) está associada a menos problemas urinários. Isso inclui dor ou necessidade frequente de urinar após o procedimento, quando comparada à braquiterapia de Baixa Taxa de Dose (LDR). Essa diferença pode ser importante na escolha do tratamento.
É importante ressaltar que a braquiterapia não costuma causar a queda de cabelo generalizada, um efeito mais associado à quimioterapia. Qualquer desconforto deve ser comunicado à equipe médica, que indicará as melhores formas de manejo.
Quais as vantagens deste tratamento?
A principal vantagem da braquiterapia é sua precisão. Ao focar a radiação diretamente no alvo, o tratamento oferece benefícios significativos.
- Máxima eficácia: permite o uso de doses de radiação mais altas e efetivas contra o tumor.
- Preservação de tecidos sadios: reduz a exposição de órgãos e tecidos saudáveis próximos, diminuindo o risco de efeitos colaterais a longo prazo.
- Conveniência: em muitos casos, o ciclo de tratamento pode ser mais curto que o da radioterapia convencional.
A decisão por este método é sempre baseada em uma avaliação criteriosa do quadro clínico do paciente, buscando o melhor resultado com a maior segurança possível.
Como se preparar para a braquiterapia?
A preparação é orientada pela equipe de saúde. É fundamental tirar todas as dúvidas com o radio-oncologista sobre o procedimento, os cuidados necessários antes e depois de cada sessão, e os possíveis efeitos.
Seguir as recomendações sobre jejum, higiene local e uso de medicamentos é crucial para o sucesso do tratamento. Ter o apoio de familiares e amigos durante o processo também contribui para o bem-estar emocional e físico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

